Não sei se sou só eu mas sempre leio todas as informações referentes a bebês quando estou grávida e com recém-nascido. Muitas coisas que leio fazem algum sentido e me ajudam mas outras vezes só me fazem sentir mal e perceber que não sou uma mãe tão boa. Acho que algumas matérias publicadas em blogs, sites, revistas etc, são um pouco cruéis com as mães.
Querem uma mãe perfeita que saiba lidar com todas as birras dos filhos, que deem somente alimentos saudáveis, que digam todas as frases que serão boas para o crescimento intelectual dos filhos e que nunca, nunca tenham dito uma frase imprópria para seu filho no momento de estresse (coisa não muito comum em mães!).
Quando Alice nasceu percebi que teria sérios problemas para amamentar. Além de extremamente doloridos, meus seios não produziam leite suficiente. Tudo que eu lia sempre apontavam para a descida do leite com cerca de três dias e que, quando descesse, meus seios iriam produzir leite além do que a bebê precisaria no início, que teria ingurgitamento mamário (famoso seio empedrado) e iria vazar até molhar o sutiã.
Acreditem: nunca senti dor nos seios de tanto leite e nunca molhei sequer um centímetro do sutiã. A única coisa que via era minha filha com fome após cada mamada. Era obrigada a dar complemento enquanto esperava o leite "descer". Minha filha completou dois meses no dia 13 de fevereiro e o leite já secou. Se ele está descendo deve estar vindo do Himalaia e chegará quando ela tiver 12 anos!
Foram dois meses de tentativas frustradas e sempre tinha a sensação de que a culpa era minha. O que será que eu teria feito (ou não feito) para que não tivesse leite? No meio dessa angústia li um artigo que uma conceituada revista de que "O leite materno influencia no QI da criança". Quer dizer que minha Alice vai ficar com QI abaixo do normal porque eu não produzi leite? O que este tipo de matéria poderia ajudar para uma mãe que, como eu, estaria angustiada e fazendo tudo para amamentar? Só aumenta nossa angústia.
Como um boa recém-mãe, em tempo de enlouquecer, respondi ao post da revista e decidi que não iria me importar se eu não preencher os requisitos de super-mãe constantes destas publicações por um único motivo: só eu sei o que estou disposta a fazer pelo bem de minhas filhas. Ninguém pode me etiquetar como boa ou má sem conhecer a minha história
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